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terça-feira, 22 de setembro de 2009

O povo é quem mais ordena...

Ora é chegada a vez do povo, ou não, atendendo a que o maior partido português é a abstenção, penso que devido a diversos factores...
Primeiro a falta de educação cívica, dos portugueses, e isto devia ser ensinado na escola os deveres perante a sociedade e a democracia, porque os direitos estão amplamente e sobejamente divulgados, e alterava o direito ao voto que passaria a ser obrigatório (como no Brasil)passando a ser um dever...
Todos os dias ouvimos na rua, o povo (todos nós) a criticar o Estado e o governo, pois é chegado o momento de colocar as "criticas" e o descontentamento branco no preto, ou seja, é hora de agir, fazer qualquer coisa que é mais forte que o mal-dizer e a critica diária no café...
Usar essa arma silenciosa e poderosa, que felizmente no nosso país é válida...que é o VOTO popular que legitima a formação governativa em Portugal...
O pior, que um cidadão pode fazer em prol do seu país é mostrar indiferença perante eleições, sejam elas para que orgãos forem...
Outro ponto, é ter cuidado com os discurso político vigente, que apela ao famoso "voto útil" com o intuito de atingir maiorias absolutas...
Aqui está, um ponto com o qual estou farto e que tem conduzido ao estado calamitoso em que se encontra a economia do país, visto que o Estado após a eleição de maiorias absolutas é inundado de "boys" dos partidos (indenpendentemente da cor), uns com qualidade mas também uma grande maioria sem competências ou qualidade para ocuparem cargos que exigem desapego ao umbigo pessoal, ou seja, esses "lambe-botas" (competência na qual excedem em muito os parâmetros normais) apenas querem o seu salário a tempo e horas com um horário das 9h às 17h, sem querer saber se produzem muito ou pouco para melhorar a vida do povo (palavra inexistente no dicionário dos lambe-botas, substituida por "Eu...e só Eu... e mais Eu...e depois Eu...e ainda mais Eu) esta classe de "operários" gira a sua vida em torno de si próprios, apenas se interessam por melhorarem o seu estatuto social...
Para combater ,isto e para dar seguimento ao que me ensinaram quando tirei o meu cursozinho, é que as equipas de gestão numa empresa devem ser multidisciplinares e multiculturais, isto para abranger o máximo de pontos de vista diferenciados, isto é o que é ensinado nas escolas superiores e que me desminta a fiel clientela da tasca...
E então, para governar um país, será lógico uma maioria absoluta de um só partido? argumentam que depois é dificil governar porque tem que negociar...
E eu digo exactamente é isso que eu quero que discutam uns com os outros demorem o tempo que for necessário porque assim teremos a melhor ideia que irá servir o povo e não a que mais convém ao partido...
Já me alonguei demais mas faço um apelo para Votem amigos e façam o mesmo apelo aos amigos, é um dever patriótico...
Eu já escolhi, e escolhi ser diferente e dar chance a outros...porque estou cansado e farto do mesmo...
Sou a favor da implementação da Méritocracia....em Portugal...
Jaquim Pimpão

terça-feira, 31 de março de 2009

...Coisas da vida Par(a)lamentar...

Boas a todos os taberneiros e fiel clientela que já se queixou da fraca produtvidade de alguns taberneiros, entre os quais eu me inclúo, compreendo e dou razão aos nossos clientes, não se admite em tempos de crise tão fraca produção...

Mas a exemplo, da nossa sociedade também esta tasca sofre de alguns vicíos, e podemos começar pelos representantes do povo, os senhores deputados...
Temos um parlamento grande para um país pequeno senão vejamos, será que são necessários 230 deputados? para 18 distritos, que representam 10 milhões de habitantes, ou seja, somos pequenos mas temos um parlamento grande...
E amiúde ouvimos vozes falar na necessidade de adequar o sistema eleitoral português, aos tempos modernos...
Porque este parlamento foi pensado e nasceu, do resultado dos tempos "quentes" com muitas ideias socialistas na sua génese, que se seguiram ao à revoulução do 25 Abril 1974, ora já passaram uns anitos e o país está muito diferente para bem e para o mal evolui-o, quer socialmente quer estruturalmente, portanto seria mais do que lógico que também a orgânica do sistema eleitoral e por consequência o parlamento, deveriam ter sido reformulados e adequados aos novos tempos...mas não...e porque não?...
Simples, porque apesar de pregarem que sim e que vão fazer alterações os dois partidos "grandes" (PS e PSD), no entanto a arrastam a ideia adiando os mais que puderem, curiosamente também é conveniente este adiamento "ad eterno" porque também eles serão prejudicados, assim prejudicamos o erário público com custos duma côrte real e inoperante em termos de produção intelectual para benefício do desenvolvimento do país...
E isto, porque a mentalidade é ir servir-se do Estado e não servir o Estado, eu penso que qualquer cargo público, exige algo mais que know-how a pessoa terá que ter uma capacidade de servilidade à causa pública, ou seja, a sua realização pessoal passará muito por ver concretizado algum do seu trabalho em benefício da sociedade no seu todo...
No entanto, neste momento o que acontece é o clientismo puro simples, distribuição de lugares nas listas dos partidos, através de pagamento de favores políticos, por transferência genética (para familiares) e por cunha pura e simples (sistema muito utilizado cá no burgo), daqui resulta que não escolhidos criteriosamente os que tem melhor perfil nem é feita uma triagem com objectividade, dentro da sociedade para seleccionar os melhores indivíduos desta, para que o país pudesse evoluir...
E hoje num mundo globalizado que fez aumentar a competividade entre países, é necessário ter os melhores indivíduos que uma sociedade consegue produzir para esse combate diário...
Mas nós não temos...e como costumo dizer penso que o cargo de deputado é mal pago em Portugal, comparando com os valores pagos no sector privado em algumas áreas, no entanto os deputados que temos no nosso parlamento hoje, são muito bem pagos...
E falo nisto porque um destes dias ouvi uma noticia em que num só dia a maioria socialista tinha votado contra 23 medidas para atenuar a crise, propostas pelo PCP, quem me conheece sabe que eu de utopias socialistas gosto pouco, no entanto sou democrata e justo, e não acredito que nenhuma das 23 medidas fosse concretizável ou melhorada e poderia produzir uma melhoria na vida de algum cidadão português em dificuldade por causa da crise...
Agora pergunto serão estas "maiorias" que queremos como sociedade? que pensam e actuam em função de umbigos próprios(aparelhos partidários) e não tendo em conta o bem estar de quem os elege...

Jaquim Pimpão

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Avante!

A Marinha Grande, a terra que me viu nascer, é conhecida a nível nacional pela sua grande massa de militância comunista. Não me surpreendi assim - tinha eu 16 anos - quando via na biblioteca da escola secundária desta cidade algumas revistas "Made in USSR" com a aprovação e o carimbo oficial do Partido Comunista Soviético.
Se lá foram parar através dos dinheiros públicos oferecidos àquela escola ou se eram oferta de um generoso militante que queria dar logo às novas gerações alguma "formação" política era coisa que me transcendia. O que não me transcendia era o tema recorrente dessas revistas: viver na URSS era um sonho.
Na URSS havia paz. Na URSS havia alegria. Na URSS havia progresso. Na URSS havia desenvolvimento. Na URSS havia tudo, tudo o que aquela pequena escola e país onde eu vivia não tinha.
Hoje posso achar graça ao facto de uma imprensa assim tão tendenciosa ter sido levada a sério pelas mentes inconformadas e irriquietas daquela época. Mas descobri agora, para grande espanto meu, que este género informativo marcadamente propagandístico não caíu em desuso.

Aconteceu-me parar às mãos a edição da semana passada do Avante!, o informativo do Órgão Central do PCP. E vi, para meu espanto, que o estilo e a forma de comunicar dos "jornalistas" deste "informativo" não diferia muito dos "jornalistas" dos jornais oficiais soviéticos da década de 80.
Por exemplo, e ao contrário dos jornais tradicionais que enchem as manchetes com tragédias, crimes e desgraças, o Avante! traz na capa apenas "boas" notícias:
- O "Não!" dado pela Irlanda ao Tratado de Lisboa foi uma "vitória histórica".
- Bush é cada vez mais impopular, fonte de "repúdio" e gerador de protestos.
- O governo português ouve buzinões.
- As greves de camionistas param o país.

A capa termina com uma referência a uma festa comunista de sucesso, a "Festa da Alegria" em Braga.
Lido nesta minha óptica parece-me que são só boas notícias: das altas esferas do partido para os militantes.

Outra coisa que observei neste "jornal" é a forma como se pode negar ou alterar uma notícia que pode não ser útil à causa. Na página 22 fala-se da morte de Raul Reyes, o nº 2 da guerrilha colombiana FARC. Para este jornal, ele foi morto por um bombardeamento "made in USA" e não pelo exército colombiano. Neste jornal leio que o presidente deste País é, como parecem ser todos os presidentes ocidentais ou pró-ocidentais, um "ventríloquo de George (War) Bush". E leio que a Interpol, que leu os documentos do portátil de Reyes e os analisou (que parecia indicar ligações entre as FARC e Hugo Chavez) "não é precisamente uma garantia de seriedade".

Sou daqueles que acha que o contributo que Karl Marx deu à humanidade se enquadra entre os maiores contributos intelectuais de todos os tempos. O comunismo é uma ideologia revolucionária e uma demonstração de uma certa evolução do pensamento da humanidade sobre si mesma. Entristece-me por isso ver esta ideologia tão mal tratada por alguns dos seus maiores "representantes" nacionais e internacionais.

A critica que faço, já depreenderam, não é à ideologia (da qual admiro certos aspectos) mas a uma forma de a por em prática que, em minha opinião, só a descredibiliza. Os partidos que fazem dela seu apanágio deviam tratar os eleitores com maior honestidade e respeito intelectual. E, acima dos eleitores, julgo que deviam tratar com mais honestidade e respeito os seus próprios militantes.

Estou bem consciente que este conselho pode ser dado de igual forma aos partidos de todo o espectro político (qual é o partido que trata os seus militantes como iguais e não como uma massa que é facilmente manipulável?). Mas aconteceu esta semana ter lido o Avante!. E por isso, e só por isso, gostaria de ver este "jornal" mudar um pouco a sua linha editorial e, mostrando um mundo onde somos todos criaturas frágeis e pecadoras, mostrasse um comunismo mais humano. Um certo comunismo que depreendi de Karl Marx.