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quinta-feira, 24 de julho de 2008

Chavez e os bombardeiros

Ontem o Sr. Hugo Chaves fez um convite à Rússia de Putin para colocar os seus bombardeiros em solo venezuelano. A intenção, segundo o mesmo, é dar à Rússia meios de destruir a América e a sua política imperialista.
Não há nada de errado em uma nação soberana facultar as suas bases a um aliado. Nós própios o fazemos com a base das Lajes para benefício das duas nações aliadas. O problema advém do facto do Sr. Chaves dizer explicitamente que a "oferta" tem como objectivo a destruição dos Estados Unidos da América.
Com este discurso o sr Hugo Chaves obriga, como manda a doutrina militar, o país visado (EUA) a deslocar algum do seu poderio militar (e alvos) para um país do 3º mundo em crise cujo líder máximo teima fazer frente a uma nação numa linguagem, a da guerra fria, que já devia ter caído em desuso. Os primeiros prejudicados? Os venezuelanos, como é obvio.
Talvez uma leitura ingénua deste discurso leve o leitor a concluir que Hugo Chaves "assinou a sua sentença de morte" ao declarar assim tão abertamente o seu ódio pela América. Mas, se posso extrapolar as intenções deste tipo de governantes, que raramente se ficam pelo óbvio, talvez a intenção do Sr. Chaves seja outra e tudo não passe de uma estratégia para garantir o seu lugar de presidente numa base vitalícia. É que, ensina-nos a história, quando uma nação (neste caso a Rússia) tem interesse em manter os seus interesses estratégicos noutra nação (neste caso a Venezuela) esta faz tudo para manter o actual "governante" no poder, que criou e pactua com a situação.
Na política, como em muitas coisas da vida, raramente as coisas são como parecem. E não me parece que a aliança venezuelana-russa, a ser feita, possa trazer bons ventos de mudança para os venezuelanos e, em última instância, para todos.